Natal e o Balde Dourado

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Nossa colmeia tem festas e tradições a beça e no Natal não é diferente.

Na noite da véspera todas as Liebees se reúnem no centro da colmeia, em torno do grande pote de mel e cada uma leva seu balde de mel, para encher o pote e a partir da meia noite todas brindarmos juntas, em meio a uma grande festa supimpa com música, dança e animação.

Eu, como o mais velho de todos os favos, me reúno com os jovens e conto histórias do arco da velha, algumas até parecem lendas inexplicáveis, mas como já disse Mahatmel: a polinização não precisa ser explicada, só vivida.

Minha história favorita é a do balde dourado, que presenciei e ficou marcada pra sempre na memória desse ancião.

Balde Dourado de Natal

Acordei animado em uma véspera de Natal, olhando pela janela do favo, junto com minha esposa, nosso primeiro Natal casados.

Chovia a beça fora da colmeia, mas nada que atrapalhasse a festança. As luzes dos favos e das ruas já iluminavam cada canto, de norte a sul.

Lembro de sair pela porta do favo e ver, ao longe, no castelo, a iluminação batuta que a recém empossada rainha Elizabeeth Mel-e-Lua mandara colocar. As Liebees mais velhas consideravam aquilo pra frente demais, mas eu achei bacana.

Andando pelas ruas, em direção ao mercado, vi todos serelepes. Neste dia encontrei muitas crianças, entre elas a Fabee e a Beeatriz brincando pela colmeia.

Voltando ao meu favo, era hora de me arrumar para a grande festa de Natal: colocar minha beca elegante, me preparar para balançar o esqueleto e encher meu balde de mel para a noite supimpa.

Ao sairmos para o centro da colmeia, encontramos muitas Liebees no mesmo trajeto. As crianças levavam os seus pequenos baldes e o som dos zumbidos abafava até a grande chuva que caia no jardim. Nesta noite, lembro de ter presenciado um pequeno bode, um rapaz traquinas chamado Beernardo deixou cair o seu balde e, apesar de nada adiantar chorar pelo mel derramado, ele voou, com seus pais voando atrás dele.

Ao chegar no favo central, o pote estava cheio, quase que na metade. Eu voei até o topo dele e com carinho e cuidado despejei meu balde de mel, pensando em coisas boas e polinizadoras, depois desci e ficamos observando o pote cada vez mais preenchido, mal sabia o que estava para acontecer.

No meio do enxame de Liebees, duas delas estavam borocoxôs: eram os pais de Beernardo. Eles procuravam seu filho e pediam ajuda a quem pudesse encontrá-lo. Após derrubar o mel no chão, o traquinas sumiu de vista. A busca já mobilizava Liebees a beça.

Até que um Guarda Asa-Rápida veio voando, interrompeu a festa e disse, ofegante: “temos uma movimentação estranha do lado de fora da colmeia, algo se aproxima, voltem aos seus favos”.

Muitas Liebees se assustaram e correram, outras mais curiosas (me incluo entre essas) foram para as janelas. Do lado de fora, era possível ver em meio a chuva um ponto luminoso, rápido a beça e pequeno voando em direção a colmeia. Os Guardas Asa-Rápida não sabiam bulhufas, afinal, o que era aquilo? Era bom ou ruim? Seja o que for, não podia ser parado e estava chegando na colmeia.

Mesmo com as recomendações contrárias, algumas Liebees foram para a entrada da colmeia e o que encontramos lá é de cair o queixo, até hoje: Beernardo estava lá, com um balde diferente e muito dourado em suas mãos. Com o máximo de naturalidade, aquela pequena criança levantou voo e com um bater de asas suave foi até o grande pote.

Todo mundo ficou com uma pulga atrás da orelha: de onde vinha aquele balde? Como aquela pequena Liebee sobreviveu à chuva? Como suas asas estavam secas, apesar da grande tempestade? Alguém tão jovem conseguiria voar tão rápido?

Todos seguimos Beernardo e com toda a confiança – que só as crianças têm – ele despejou o mel do balde dourado no pote.

Aos poucos, o mel e o pote foram se iluminando como uma estrela dourada e emanando um calor confortante para todas as Liebees em volta. Foi um barato! Lembro que chorei de alegria e muitas outras Liebees também. Todas sorriam e se entre olhavam, mesmo sem explicação, o sentimento é conhecido: o amor.

Naquela noite, tomamos mel, dançamos e conversamos como em todos os Natais, mas algo ainda maior estava lá.
Com o passar do dia de Natal, o balde dourado perdeu seu brilho e tornou-se amarelo novamente, assim como o grande pote, mas nem as Liebees mais curiosas tentaram entender o motivo, não era necessário explicar algo tão polinizador.

Beernardo nunca soube explicar patavinas. Segundo ele, apenas fez o que sentiu em seu coração, já que desejava muito participar da celebração de Natal.

Algumas Liebees duvidam até hoje da veracidade desta história, outras dizem que foi um milagre, mas eu prefiro lembrar com carinho e agradecer pelo mel dourado.

 

O Mundo Beelieve é um projeto de ilustração de boas ideias e polinização! Aqui espalhamos ideias positivas e queremos mostrar a todos que tornar o mundo melhor só depende de nos mesmos.

Bartolomel Colmeia
Bartolomel Colmeia

Desde tempos antigos polinizo o mundo. Por isso, conheço toda a história da colmeia e de seus maiores polinizadores. Tenho muito para contar e viver, já adianto, basta ter paciência e perseverança para fazer o melhor mel.

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