O Melhor Ano Novo de Todos

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E nos aproximamos de mais um ano novo, quem diria. Mais um ano cheio de emoções e polinização, que encheram de lágrimas e sorrisos a vida deste ancião.

Olhando para trás, 2016 foi um ano levado, tanta coisa aconteceu, a colmeia mudou muito, inclusive de lugar e as Liebees viveram grandes aventuras (até o sábio Mahatmel viveu um romance).

Como vocês já devem saber, eu amo essas festanças. E claro, assim como acontece com os humanos, há muita comemoração no ano novo das Liebees.

E foi justamente em uma virada de ano, quando eu era uma pequena Liebee criança e muito traquinas, que vivi uma das histórias mais batutas da minha vida, daquelas que você nunca esquece.

Tudo começou no último dia do ano, acordei em meu favo e fui correndo tomar meu mel da manhã, um hábito batuta que mantenho até hoje. Naturalmente, estava serelepe. Meu favo e toda a colmeia estavam decorados com luzes brancas, como é tradição em todo fim de ano. Já fazia três dias que meus pais não saiam para polinizar, outra tradição, para que esses dias finais sejam passados com a família.

Me apressava para sair e brincar a beça, nas ruas da colmeia e quando estava quase na porta do favo, há um segundo de sair, meu pai, também chamado Bartolomel, me chama com sua voz grossa de trovão que sempre teve.

 Bartolomel Colmeia Junior! – brandou ele. E eu, quase saindo do favo, apenas respirei fundo e fui ao seu encontro.

 Filho, vamos sair. Quero conversar com você.

 Mas eu ia brincar… – tentei argumentar, já de bode.

 Outro dia você brinca. – respondeu ele.

Logo em seguida, pegou seu chapéu e foi em direção a porta. Dei um beijo em minha mãe Melinda e segui meu pai.

Durante o caminho, lembro que estava com a pulga atrás da orelha, pensando o que poderia ser aquela conversa. Será que era algo grave?

Fomos voando, saindo da colmeia e em direção a uma colina alta pra dedéu, que ficava bem ao norte do jardim. Por lá, após subir muito, meu pai sentou em uma pedra e eu sentei ao seu lado.

 Bartolomel, você ainda é jovem, mas sabe que estamos nos aproximando de uma data importante…

 O ano novo, papai.

 Isso! Um ano novo. E você sabe o que isso significa?

 Ah, acho que é o começo de um novo ano. O calendário muda, temos novas festas na colmeia… Eu volto pra escola.

 É mais do que isso, meu filho. O ano novo é a renovação de algo chamado esperança.

 Esperança?

 Sim. Esperança é uma palavra com muitos significados. Ela representa a vontade de cada um de realizar seus sonhos, de alcançar o que deseja. É como se cada asa se tornasse mais forte para voar. Como se todos tivessem uma nova chance.

 Mas isso só vem no ano novo? Seria melhor se todo mundo tivesse esperança sempre!

 E isso é possível, Junior.

 Como papai?

 Vou te contar: todas as manhãs, sempre que acordar, pense no que há de bom a sua volta. Pense na sua motivação para começar um novo dia, assim como se faz no ano novo.

 Não entendi. Como seria um ano novo todo dia?

 Todas as manhãs, quando acordo, penso em você, na sua mãe, meus maiores motivos para sair da cama e fazer daquele um dia polinizador e cheio de mel.

 Então eu tenho que pensar em coisas importantes?

 Isso, meu filho. Pensei em coisas que você ama todas as manhãs, antes de começar um novo dia. Isso também vai te ajudar a escolher como você vai polinizar.

 Mas todas as Liebees não polinizam da mesma forma?

 Não necessariamente, filho. Você ainda é jovem, mas com o tempo, vai aprender como você vai polinizar. Gentilezas, sorrisos e boas atitudes polinizam, conselhos também. Descobrindo no que é bom, o que é único em você, vai aprender como fazer do mundo um lugar melhor.

Depois disso, meu pai me abraçou e ficamos um tempo, olhando o dia passar e observando o jardim, até voltarmos para a colmeia.

Toda a patota já estava vestida com belas becas, prontas para a grande noite. E assim como todos os anos, temos um ritual bacana para dar boas vindas ao novo ano: tudo começa no primeiro dia do ano, a rainha enche um pote de mel e guarda em seu favo. E assim ele permanece, durante todo ano. Até que no último dia, esse pote é levado ao rio e o mel é despejado em suas águas, nosso jeito de dar “adeus ao ano velho”, com algo valioso, natural e que não polui.

 

E assim, quando a meio noite se aproximou, rumamos ao rio, com a rainha Barbarel Melaço, levando o pote de mel. Meu pai e minha mãe seguravam minha mão enquanto voávamos e no caminho, fui lembrando da conversa batuta sobre esperança e polinização, naquela tarde.

Chegando ao rio, as Liebees pararam nas margens e a rainha, ao centro abre o pote de mel e começa um discurso. Não lembro bem suas palavras, pois algo me distraiu, em alguns arbustos, atrás de mim, ouvi uma barulho, uma pequena risada e me afastei do grupo por curiosidade. Segui andando em direção ao som, andei algum tempo, até que ele sumiu. Sem saber de onde ele vinha, comecei a voltar ao rio, as Liebees já deviam estar voltando a colmeia. Foi ai, que vi algo chocante: em cima do mel que boiava, duas Liebees muito parecidas, meio transparentes, uma branca e outra cinza, dançavam e brincavam, rindo e se divertindo e fiquei escondido, com a pulga atrás da orelha, vendo aquela cena bacana.

Passado um tempo, escuto e a voz do meu pai me chamando e aquelas duas Liebees rapidamente voam para longe.

 Bartolomel, onde você estava? Sabe que não pode se afastar da colmeia! – disse ele, bem zangado.
 Mas pai…
 Vamos voltar. Já estava preocupado e sua mãe também.

Meu pai me pegou pela mão e voávamos de volta a colmeia. Ao olhar para trás, aquelas duas Liebees diferentes acenavam e sorriam pra mim. Eu sorri de volta e continuei a voar.

Quando criança, não consegui entender o que era aquilo, mas hoje em dia, acredito que aqueles eram os espíritos do ano que foi embora e do ano novo, se cumprimentando e desejando boa sorte. De qualquer forma, tanto a conversa com meu pai, quanto aquela cena, estarão para sempre em minha memória, como um ano novo importante a beça e inesquecível.

Um Feliz Ano Novo, de toda a colmeia e do Mundo Beelieve.

Bartolomel Colmeia
Bartolomel Colmeia

Desde tempos antigos polinizo o mundo. Por isso, conheço toda a história da colmeia e de seus maiores polinizadores. Tenho muito para contar e viver, já adianto, basta ter paciência e perseverança para fazer o melhor mel.

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