Outubro Rosa: Como Tudo Começou!

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Nestes anos como polinizador, presenciei muitas histórias, novidades e mudanças na colmeia. Algumas boas, outras necessárias, mas todas realmente marcantes e importantes.

Uma que foi triste à beça e que fiz parte, é a história da Beella Rosa:

Eu era uma Liebee jovem, estava começando a botar pra quebrar na minha carreira como polinizador, em meus primeiros voos em busca de pólen, fora da colmeia. Durante um dia desses, na primavera e com sol ameno, tivemos a notícia que uma Liebee chamada Beella Rosa havia caído em voo e que, apesar disso, havia apenas se machucado, mas voltado a colmeia com ajuda.

Lembro que não entendi patavinas, mas pensei que suas asas haviam molhado, isso acontece às vezes e gera algumas quedas. Mas, como havia sido determinado pela rainha Barbarel Melaço na época, toda Liebee acidentada deveria ser examinada, para saber se a barra estava limpa. Alguns até comentaram que a Beella aceitou a contra gosto, uma Liebee de lascar.

No dia seguinte, a pequena polinizadora estava de volta a ação, mas no próximo dia, ficamos sabendo que Beella se sentiu mal, não conseguiu decolar e precisou descansar. Naquele dia eu pensei: normal, é só um cansaço pela queda, nossas asas são fortes, porém sensíveis.

Voltando à colmeia, recebemos a notícia chocante, Beella não resistiu. Isso deixou as Liebees borocoxô.

A rainha Barbarel Melaço chorou o ocorrido e solicitou que os cientistas e médicos da colmeia investigassem. A percepção dela foi que, de alguma forma, aquela não foi uma queda comum.

E todo mundo colocou a mão na massa! Um grupo de Liebees investigou a colmeia, colhendo coisas diferentes. O mesmo foi feito nos jardins próximos e em qualquer lugar que a Beella possa ter passado. A suspeita inicial é que seria efeito de algum componente tóxico para a colmeia, mas não descobrimos bulhufas. Até que eu fui envolvido diretamente.

Em minhas buscas por pólen, encontrei Liebees da Colmeia do Alto, um grupo que, nos tempos do arco da velha, estivemos em guerra. Primeiro pensei em desviar meu caminho de voo, mas foi bacana não ter feito isso! Aquelas Liebees estavam carregando uma outra e na hora me lembrei da Beella. A aproximação foi de lascar, mas consegui trocar uma prosa com elas e fiquei sabendo que as asas haviam falhado, sem molhar, sem sol forte. E aquela não era a primeira Liebee a sofrer com isso.

Voltei voando rápido pra dedéu, minha asas eram velozes naquela época, me dirigi a sala da rainha. A informação foi um choque, as colmeias eram distantes, então, por que essa semelhança? Desde a guerra das colmeias, não dividíamos jardins, pólen ou mel, nada que pudesse ligar os casos.

A rainha Barbarel Melaço não perdeu tempo e na manhã seguinte com uma comitiva de Liebees voou para a Colmeia do Alto. Lembro que neste dia a tensão foi tão grande que ninguém saiu para polinizar, todos queriam esperar notícias.

No final da tarde ela estava de volta com uma informação chocante: a falha das asas já havia ocorrido quatro vezes na outra colmeia e em conversa com a outra rainha, Jessebee Polina, foi decidido um acordo de cooperação, precisávamos saber o que estava atingindo as Liebees.

Os cientistas, pesquisadores e médicos das duas colmeias começavam a trabalhar juntos pela primeira vez, comparando resultados e estudando as adoecidas. Passados três meses, outras Liebees já haviam caído sob a mesma doença, os casos deixavam todos borocoxôs, independente de sua colmeia de origem.

A primeira grande descoberta era que as Liebees fêmeas eram muito mais atingidas. Depois, que a origem de tudo eram pequenos carroços nas asas, que cresciam rapidamente, primeiro sem sintomas ou sinais iniciais.

Até que veio a conclusão que deixou as colmeias de bode: a doença não era externa, mas interna. Uma falha celular, que chamamos de Câncer de Asas. Era uma questão de tempo até uma solução e ela veio e deixou todos grilados: as Liebees eram salvas com a retirada das asas e doses controladas de um mel especial, um pouco tóxico que causava mal estar temporário.

Mas, como uma Liebee poderia aceitar isso? Ela se sentiria menos Liebee? Como o resto da colmeia reagiria?

No começo, algumas por medo se recusaram a retirar as asas, mesmo estando doente. Outras aceitaram e sim, enfrentaram a estranheza da colmeia. Porém, aos poucos aprendemos  algo supimpa pra dedéu: aquelas Liebees não eram diferentes ou menos capazes, eram mais fortes.

Toda essa história aconteceu em um Outubro distante e hoje, em homenagem a Beella Rosa, aquela Liebee teimosa que enfrentou o Câncer de Asas pela primeira vez, chamamos esse mês de Outubro Rosa. Um mês para lembrar todas as Liebees, na nossa colmeia e na Colmeia do Alto, que é necessário manter os exames em dia e lutar de antenas erguidas contra essa doença. Sem preconceito, só com amor.

 

O Mundo Beelieve é um projeto de ilustração de boas ideias e polinização! Aqui espalhamos ideias positivas e queremos mostrar a todos que tornar o mundo melhor só depende de nos mesmos.

Bartolomel Colmeia
Bartolomel Colmeia

Desde tempos antigos polinizo o mundo. Por isso, conheço toda a história da colmeia e de seus maiores polinizadores. Tenho muito para contar e viver, já adianto, basta ter paciência e perseverança para fazer o melhor mel.

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