Preconceito: diferentes e iguais

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Ontem, acordei pensando em passar o dia no mosteiro favo de mel, meditando sobre a polinização e escrevendo. Mal sabia o que me esperava.

Logo no começo da tarde, enquanto eu tomava uma caneca quente de mel e escrevia, as portas do mosteiro foram abertas sorrateiramente e do alto, no salão principal, vi uma pequena Liebee entrar, batendo as asas devagar, ela não queria ser notada ou chamar a atenção e parecia bem assustada. Somente observei, como aprendi a muito tempo, esse é um ótimo meio de descobrir as coisas.

Devagar, aquela criança se dirigiu ao fundo do salão, deu a volta entre as pilastras e se escondeu em um favo bem no canto, agachada e quase sumindo.

Logo em seguida, de uma forma mais brusca, mas silenciosa, uma outra Liebee entrou. Essa era maior, mais velha e me pareceu preocupada. Olho para o fundo do mosteiro, percorreu alguns favos em uma busca aflita e depois saiu rápido. A pequena liebee saiu de seu esconderijo e eu acabei minha caneca de mel.

– Parece que você está fugindo. – A jovem se assustou.

– Eu?… Claro que não, sábio. Só estava passando e… É… entrei para conhecer.

Mahatmel. Pode me chamar de Mahatmel. Sábio é quem sabe tudo sobre polinização, eu ainda vou chegar lá.

– Certo! Foi um prazer, Mahatmel. Agora preciso bater asas e ir embora. – Ela se dirigiu apressada pra porta.

– Tão cedo? Eu já ia esquentar mais mel. Mas se você não gosta, tudo bem. Pelo menos se apresente, é mais educado.

– Desculpe. É Melina, Melina Doce. – Ela parou em seu caminho até a porta.

– Aceita a caneca de mel, Melina?

– Acho que sim.

Pedi que ela esperasse sentada em um dos favos e voltei com a caneca de mel quente. Sentei ao lado dela.

– Entendo que você esteja assustada. Todos nós ficamos assim as vezes. É normal entre todas as Liebees, mas fugir não é. – Ela abaixou a cabeça.

– É que ontem eu vi uma coisa, na excursão ao mundo dos humanos, tão feia.

– A excursão da escola. Imagino que aquela Liebee que veio te procurar seja sua professora (me senti o próprio Sherlock Honey).

– Sim! Ela é. Não quero mais ir lá. – Os olhos da Melina se encheram de lágrimas.

– Conte-me, jovem Liebee.

– Estávamos em um parque, conhecendo as flores e a polinização humana, até que me afastei dos outros alunos e fui a um canto distante. – Um gole do mel, antes que esfriasse.

– E haviam 4 humanos ali. 3 deles falavam coisas muito feias para o outro e empurravam ele. Achei horrível.

– Você ouviu o que eles falavam?

– Ouvi – uma pequena pausa – diziam que ele era ruim, menor, que tinha uma aparência estranha, que parecia uma menina. Não entendi aquilo, todos os humanos me parecem iguais. Mas, – ela falava de forma aflita – depois fiquei pensando nisso: será que eu sou tão diferente das outras Liebees? será que minha asa são menores ou minha antenas tortas? Não quero mais visitar os humanos, eles são maus. Muito ruins. – Lágrimas corriam.

– Melina, venha comigo – peguei em sua mão e comecei a voar ao lugar mais alto do mosteiro favo de mel – o que você viu acontecer entre aqueles humanos se chama preconceito.

Preconceito?

– Sim, preconceito é descriminar, maltratar ou ser hostil com alguém, simplesmente porque ele é diferente em aparência ou atitudes.

– Mas eles não são diferentes. Os humanos são todos iguais. Tenho certeza disso, eu vejo todos como iguais.

– Pequena, olhe pela janela – a Melina foi até a janela voando, sem o cuidado de antes, quando entrou no mosteiro – O que você vê?

– Liebees, um monte delas.

– Assim como você vê os humanos como iguais, as Liebees também são. Todas as Liebees são iguais.

– Não são não, olha ali: aquela tem asas mais coloridas, aquela outra mais transparente. E as listras? são bem diferentes! As Liebees não são todas iguais.

– Sim, elas são diferentes, porém são iguais – apontei pela janela – toda a colmeia tem sentimentos, as Liebees ficam felizes e tristes, cansadas e dispostas, polinizam e aprendem. Tudo isso torna elas iguais.

– E o que torna elas diferentes?

– Além das características físicas, que você falou, seus gostos e motivos. Liebees tem gostos diferentes na hora de se divertir, ler, ouvir música… Assim como as motivações, algumas ficam mais motivadas com desafios, outras com trabalhos coletivos ou competição.

– É verdade! Minha mãe escuta uns zumbidos musicais que acho chato.

– E vice versa, Melina. Mas acima de tudo você ama sua mãe. Acima de tudo as Liebees são polinizadoras e sabem que cada uma é importante da sua forma. O mesmo com os humanos.

– Mas então, por que aqueles humanos estavam sendo maus? Tendo preconceitos?

– Sendo preconceituosos – ela ainda não conhecia essa palavra – isso acontece ainda no mundo dos humanos porque alguns deles ainda vem as diferenças antes das igualdades e direitos de cada um.

– Que bobos!

– Sim, alguns deles são. Mas é uma minoria e cada vez menor. Assim como aprendemos a nos respeitar, eles também vão. E isso leva tempo!

– Quer dizer que não preciso ter medo?

– Claro que não, já conheci vários humanos polinizadores que lutaram para mudar isso. E tantos outros vão continuar lutando. Porque no final das contas o preconceito é sempre mais fraco. Alguns até dizem que preconceito é o medo do diferente.

– Entendi. Fiquei curiosa pra ver os humanos bonzinhos – Melina agitou suas asas e foi em direção a porta do mosteiro – obrigado pela caneca de mel e pelo conselho, Mahatmel.

– Não tem de que, pequena. Mas onde você vai com tanta pressa?

– Tentar alcançar a excursão ao mundo dos humanos. Preciso conhecer mais, para não ter medo ou preconceito.

Voei de volta para o quarto mais alto. Cheio de idéias positivas e polinizadoras para escrever, graças a uma pequena Liebee assustada.

 

O Mundo Beelieve é um projeto ilustrado de boas ideias e polinização! Aqui espalhamos ideias positivas e queremos mostrar a todos q tornar o mundo melhor só depende de nos mesmos.

Mahatmel Favo
Mahatmel Favo

Anos de meditação me mostraram a real polinização. No mosteiro favo de mel ensino as outras Liebees a polinizar o mundo, nem sempre elas entendem, mas isso não me impede de polinizar.

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